ALIMENTAÇÃO DE GALOS E GALINHAS COMBATENTES - Dr. Antonio P. Correia

   Apesar de cada colega ter sua receita infalível, a criação de animais de combate requer cuidados especiais em todas suas etapas.

   Quando procuramos informações sobre alimentação animal, deparamo-nos com muitas fórmulas, nem sempre adequadas a nossos animais. A experiência, quase sempre com animais de corte e/ou postura, não se adapta a animais de crescimento lento e de baixa conversão alimentar. Rações comerciais, apesar de terem os níveis de elementos que prometem, quase sempre usam fontes de alimentos mais baratos: substituem a soja por uma farinha de vísceras quaisquer, o milho por outro cereal menos nobre, e assim por diante, dificultando, algumas vezes a digestão e a conversão do alimento. Além disso, essas rações são elaboradas para animais de alta produtividade e rotatividade (abate em 30 dias ou postura por 6 meses); são providos de antibióticos que são promotores de crescimento, mas acabam com a resistência da ave; fazem a ave botar ovos todos os dias por longos períodos, acabando com seu sistema reprodutor e diminuindo sua vida útil.

    Os que criam aves de combate ou aves para reprodução, como as ornamentais, não criam apenas para abate, tampouco para postura comercial; queremos aves sadias, bem alimentadas, na plenitude fenotípica, determinada por sua genética tão bem escolhida por nós e pacientemente aguardada por longos meses.

   Para que possamos obter resultados desejados temos que excluir as variantes que atrapalham o bem-estar das aves, assim, um ambiente tranqüilo, limpo, desinfetado com freqüência e com alimentação farta, já é prenúncio de sucesso. Devemos dar condições para que o resultado dos cruzamentos seja pleno, ou seja, termos animais com todo potencial genético manifestado nos pintos e em condições igualmente plenas. Para isso vamos, sucintamente, e sem muitos termos técnicos, discorrer sobre alimentação de galináceos de modo geral, sua reprodução, crescimento e terminação sem nos importar com o aspecto combate, que cada colega tem sua receita exclusiva.

 1 – a ração dos reprodutores:

    A alimentação de nossas aves, e não nos esqueçamos das galinhas, é peça-chave na partida para uma criação bem sucedida. São aves adultas, já completamente formadas e de exigências nutricionais distintas, assim, genericamente, temos a tabela 1:1

    inicial Cresc. I Cresc.II Cresc.III Postura Galos
Proteínas % 21,01 17,98 15,95 14,00 15,44 12,98
Gorduras % 2,51 2,69 2,86 2,99 2,62 3,08
Fibra bruta % 4,00 3,62 3,92 3,96 3,22 4,11
Cálcio % 1,15 1,13 1,05 1,03 3,31 1,13
Fósforo % 0,65 0,62 0,63 0,65 0,60 0,74
Energia metabolizável Kcal/kg 2918,27 3008,10 2900,87 2875,84 2872,19 2824,71

    Didaticamente:

Ração inicial 1ºs 15 dias
Crescimento I 16º ao 30º dia
Crescimento II 31º ao 60º
Crescimento III 61º até a maturidade
Postura Após  o 1º ovo
Galos Após a maturidade

   Naturalmente que há discussões entre autores e diferenças entre escolas veterinárias, porém, sendo nossos animais de crescimento lento, as diferenças tornam-se insignificantes. Assim podemos trabalhar com esses percentuais que teremos sucesso certamente.

    Muitos hão de dizer que criam seus animais soltos, somente com milho e um "farelinho" e que obtém excelentes aves. Lembramos aqui que a melhor forma de criarmos quaisquer animais é deixá-los à natureza, desde que não sofram intervenção do homem; muitas vezes os elementos presentes no seu “terreiro” não são suficientes para um completo desenvolvimento de seu campeão, podendo-lhe faltar proteínas, vitaminas ou oligoelementos necessários à sua formação e importantes na sua estrutura.

    Causará estranheza o baixo nível de cálcio na formulação da ração de postura. Não nos esqueçamos que nossos galos também comerão dessa ração em época reprodutiva, e o excesso desse elemento prejudica a mobilidade dos espermatozóides, alterando sobremaneira o índice de eclosão dos ovos; outro fator e a espessura da casca; quase sempre nossos ovos são para “chocar” e perpetuar a espécie, a casca muito espessa dificulta a eclosão podendo perder alguns pintos por esse motivo.

    Outro fator importante é a procedência da fonte dos nutrientes. Usa-se basicamente o milho, o farelo de soja, o farelo de trigo e o calcário calcítico como fontes de calorias, proteínas e matéria bruta e um núcleo de boa procedência para complementar a ração fornecendo vitaminas, oligo-elementos e aminoácidos essenciais, tão necessários ao bom crescimento da ave. Como dito anteriormente, rações comerciais substituem essas fontes por produtos mais baratos, uma vez que têm que competir no mercado com a concorrência, deixando, muitas vezes à desejar quanto a qualidade final; lembramos ainda que essas rações são elaboradas para aves de alto rendimento e são específicas para postura comercial e frango de corte. Rações tipo “caipira” são pobres em nutrientes e subentendem que a a ave completará suas necessidades no quintal, se não houver, perde-se a qualidade.

    Uma vez observados esses cuidados, teremos grande chance de termos pintos saudáveis, fortes e de crescimento adequado, passo fundamental para termos adultos em sua plenitude, na certeza que seu potencial genético não sofreu influência da alimentação.

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